terça-feira, 13 de setembro de 2011

Seu pendrive tem blutufe?

Haroldo tirou o papel do bolso, conferiu a anotação e perguntou à balconista: 

Moça, vocês têm pendrive?
- Temos, sim. 
O que é pendrive? Pode me esclarecer? Meu filho me pediu para comprar um. 
- Bom, pendrive é um aparelho em que o senhor salva tudo o que tem no computador. 
Ah, É como um disquete... 
- Não. No pendrive o senhor pode salvar textos, imagens e filmes. O disquete, que nem existe mais, só salva texto. 
Ah, tá bom. Vou querer. 
- Quantos gigas? 
Hein? 
- De quantos gigas o senhor quer o seu pendrive? 
O que é giga? 
- É o tamanho do pen. 
Ah, tá. Eu queria um pequeno, que dê para levar no bolso sem fazer muito volume. 
- Todos são pequenos, senhor. O tamanho, aí, é a quantidade de coisas que ele pode arquivar. 
Ah, tá. E quantos tamanhos têm? 
Dois, quatro, oito, dezesseis gigas... 
Hmmmm, meu filho não falou quantos gigas queria. 
- Neste caso, o melhor é levar o maior. 
Sim, eu acho que sim. Quanto custa? 
- Bem, o preço varia conforme o tamanho. A sua entrada é USB? 
Como? 
- É que para acoplar o pen no computador, tem que ter uma entrada compatível. 
USB não é a potência do ar condicionado? 
- Não, aquilo é BTU. 
Ah! É isso mesmo. Confundi as iniciais. Bom, sei lá se a minha entrada é USB. 
- USB é assim ó: com dentinhos que se encaixam nos buraquinhos do computador. O outro tipo é este, o P2, mais tradicional, o senhor só tem que enfiar o pino no buraco redondo. O seu computador é novo ou velho? Se for novo é USB, se for velho é P2. 
Acho que o meu tem uns dois anos. O anterior ainda era com disquete. Lembra do disquete? Quadradinho, preto, fácil de carregar, quase não tinha peso. O meu primeiro computador funcionava com aqueles disquetes do tipo bolacha, grandões e quadrados. Era bem mais simples, não acha?
- Os de hoje nem têm mais entrada para disquete. Ou é CD ou pendrive. 
Que coisa! Bem, não sei o que fazer. Acho melhor perguntar ao meu filho. 
- Quem sabe o senhor liga pra ele? 
Bem que eu gostaria, mas meu celular é novo, tem tanta coisa nele que ainda nem aprendi a discar. 
- Deixa eu ver. Poxa, um Smarthphone! Este é bom mesmo! Tem Bluetooth, woofle, brufle, trifle, banda larga, teclado touchpad, câmera fotográfica, flash, filmadora, radio AM/FM, TV digital, dá pra mandar e receber e-mail, torpedo direcional, micro-ondas e conexão wireless....
-Blu... Blu... Blutufe? E micro-ondas? Dá prá cozinhar com ele? 
- Não senhor. Assim o senhor me faz rir. É que ele funciona no sub-padrão, por isso é muito mais rápido.
Pra que serve esse tal de blutufe? 

- É para um celular comunicar com outro, sem fio.

Que maravilha! Essa é uma grande novidade! Mas os celulares já não se comunicam com os outros sem usar fio? 
Nunca precisei fio para ligar para outro celular. Fio em celular, que eu saiba, é apenas para carregar a bateria... 
- Não, já vi que o senhor não entende nada, mesmo. Com o Bluetooth o senhor passa os dados do seu celular para outro, sem usar fio. Lista de telefones, por exemplo. 
Ah, e antes precisava fio? 
- Não, tinha que trocar o chip. 
Hein? Ah, sim, o chip. E hoje não precisa mais chip... 
- Precisa, sim, mas o Bluetooth é bem melhor. 
-Legal esse negócio do chip. O meu celular tem chip? 
- Momentinho... Deixa eu ver... Sim, tem chip. 
E faço o quê, com o chip? 
- Se o senhor quiser trocar de operadora, portabilidade, o senhor sabe. 
Sei, sim, portabilidade, não é? Claro que sei. Não ia saber uma coisa dessas, tão simples? Imagino, então que para ligar tudo isso, no meu celular, depois de fazer um curso de dois meses, eu só preciso clicar nuns duzentos botões... 
- Nããão! É tudo muito simples, o senhor logo apreende. Quer ligar para o seu filho? Anote aqui o número dele. Isso. Agora é só teclar, um momentinho, e apertar no botão verde... pronto, está chamando. 
Haroldo segura o celular com a ponta dos dedos, temendo ser levado pelos ares, 
para um outro planeta: 

- Oi filhão, é o papai. Sim. Me diz, filho, o seu pen drive é de quantos... Como é mesmo o nome? Ah, obrigado, quantos gigas? Quatro gigas está bom? Ótimo. E tem outra coisa, o que era mesmo? Nossa conexão é USB? É? Que loucura. 
Então tá, filho, papai está comprando o teu pen drive. De noite eu levo para casa.
- Que idade tem seu filho? 
- Vai fazer dez em março. 
- Que gracinha... 
É isso moça, vou levar um de quatro gigas, com conexão USB. 
- Certo, senhor. Quer para presente? 
Mais tarde, no escritório, examinou o pendrive, um minúsculo objeto, menor do que um isqueiro, capaz de gravar filmes! Onde iremos parar? Olha, com receio, para o celular sobre a mesa. "Máquina infernal", pensa. Tudo o que ele quer é um telefone, para discar e receber chamadas. E tem, nas mãos, um equipamento sofisticado, tão complexo que ninguém que não seja especialista ou tenha a infelicidade de ter mais de quarenta, saberá compreender. 
Em casa, ele entrega o pen drive ao filho e pede para ver como funciona. O garoto insere o aparelho e na tela abre-se uma janela. Em seguida, com o mouse, abre uma página da internet, em inglês. Seleciona umas palavras e um 'havy metal' infernal invade o quarto e os ouvidos de Haroldo. Um outro clique e, quando a música termina, o garoto diz: 
- Pronto, pai, baixei a música. Agora eu levo o pendrive para qualquer lugar e onde tiver uma entrada USB eu posso ouvir a música. No meu celular, por exemplo. 
Teu celular tem entrada USB? 
- É lógico. O teu também tem. 
É? Quer dizer que eu posso gravar músicas num pen drive e ouvir pelo celular? 
- Se o senhor não quiser baixar direto da internet... 
Naquela noite, antes de dormir, deu um beijo em Clarinha e disse: 
Sabe que eu tenho Blutufe? 
- Como é que é? 
Bluetufe. Não vai me dizer que não sabe o que é? 
- Não enche, Haroldo, deixa eu dormir. 
Meu bem, lembra como era boa a vida, quando telefone era telefone, gravador era gravador, toca-discos tocava discos e a gente só tinha que apertar um botão, para as coisas funcionarem? 
- Claro que lembro, Haroldo. Hoje é bem melhor, né? 
-Várias coisas numa só, até Bluetufe você tem. E conexão USB também. 
- Que ótimo, Haroldo, meus parabéns. 
Clarinha, com tanta tecnologia a gente envelhece cada vez mais rápido. Fico doente de pensar em quanta coisa existe, por aí, que nunca vou usar. 
- Ué? Por quê? 
Porque eu recém tinha aprendido a usar computador e celular e tudo o que sei já está superado. 
- Por falar nisso temos que trocar nossa televisão. 
Ué? A nossa estragou? 
- Não. Mas a nossa não tem HD, tecla SAP, slowmotion e reset. 
Tudo isso? 
- Tudo. 

A nova vai ter blutufe?

- Boa noite, Haroldo, vai dormir que eu não aguento mais...

(o autor é desconhecido, mas pode ser algum de nós, ou alguém, que nasceu nos anos 50, 60, 70, até nos 80).
(Recebido por e-mail de Jacqueline Nielsen)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Indignaldo - Aprovação do PLC 26 contra a educação em Santa Catarina

SINTE/SC reabre canal de negociação com o Governo

Blog da Greve 2011: SINTE/SC reabre canal de negociação com o Governo:

A coordenação estadual do SINTE/SC esteve reunida na tarde desta 3ª feira, 19, com o secretário Marco Tebaldi a fim de comunicar a suspensão da greve do magistério, apresentar o calendário de reposição de aulas – discutido pelo Comando de Greve – e reabrir negociação em torno da pauta do magistério. Estiveram presentes à reunião a coordenadora estadual do SINTE/SC, Alvete Bedin, a secretária geral do SINTE/SC, Anna Júlia Rodrigues, e os diretores do SINTE/SC Aldoir Kraemer, Luiz Carlos Vieira e Sandro Cifuentes, e as diretoras da SED Elizete Mello de Gestão de Pessoas e Gilda Mara Penha Marcondes,de Educação Básica.

O SINTE/SC informou ao secretário a suspensão da greve encaminhada pela assembleia estadual da categoria realizada no último 18 de julho, com a presença de cerca de quatro mil trabalhadores em Educação, no Centro de Eventos Centro Sul, em Florianópolis. Informou também que a assembleia deliberou por manter estado de greve nos próximos 120 dias, período este que acompanhará as medidas que serão efetivamente tomadas pelo Governo a fim de assegurar e evoluir nas negociações com a direção do Sindicato, visando o Piso na carreira, a reconstrução da tabela salarial – derrubada pelo PLC 0026/2011 –, e o compromisso de garantir a pauta social do magistério.

O secretário afirmou que estão mantidas as cláusulas sociais – remessa de projeto de lei à ALESC para anistia das faltas de paralisações posteriores a 2007; revisão da lei 456/2009 (Lei dos ACTs); revisão do decreto 3.593/2010 (Progressão Funcional); abono das faltas da greve atual mediante a apresentação do calendário de reposição, respeitando a autonomia das unidades escolares; realização de concurso de ingresso para a carreira do magistério em até 12 meses; o compromisso de aplicar o reajuste anual do valor Piso Salarial; e estudo de viabilidade para o aumento do vale-alimentação. Ele assumiu o compromisso de encaminhar ao SINTE/SC, por escrito, estas garantias.

Sobre a formação de uma comissão paritária – representantes da SED, da Administração, da Fazenda e da Procuradoria Geral do Estado – e diretores do SINTE/SC com o objetivo de avançar na pauta de reivindicação do magistério – principalmente a recomposição do Plano de Cargos e Salários e descompactação da tabela salarial com ênfase na aplicação do piso na carreira, o secretário Tebaldi disse que, por ele, esta válida a promessa feita anteriormente pelo Governador Colombo e mantidas as reuniões entre a equipe gestora do Governo e a direção do Sindicato. Mas ponderou que precisava conversar com o Governador antes de oficializar a Comissão, para então agendar a primeira reunião de estudo com os trabalhadores de Educação.

Quanto à reposição das aulas e a devolução dos descontos feitos na folha de junho, decorrentes dos 23 dias parados, Tebaldi informou que a SED precisará de três dias para rodar a folha suplementar com o pagamento dos descontos. O SINTE/SC adiantou que não admitirá qualquer punição contra os trabalhadores grevistas e que deve ser cumprido o prazo estabelecido no PLC aprovado pela ALESC para a devolução dos valores descontados.

O SINTE/SC afirmou seu compromisso com os alunos e população catarinenses de garantir a recuperação das aulas, prezando a qualidade do conteúdo, as horas e dias letivos – conforme deliberado e aprovado na assembleia estadual da última 2ª feira. O Sindicato reivindicou autonomia das unidades escolares para elaborarem calendários de recuperação das aulas, de acordo com a realidade e peculiaridade de cada escola. Ficou acertado que todos os profissionais do magistério realizarão a reposição nos mesmos períodos, sendo que os ATPs, AEs, Especialistas e professores readaptados e em atribuição de exercício não irão realizar a reposição no contraturno ou em dias e horários sem atividades com alunos na escola, com exceção dos dias de conselho de classe, reunião pedagógica ou outras atividades extraclasse. Nos casos de licenças ou atestados médicos os trabalhadores deverão negociar com a direção da escola a reposição deste período após o termino das licenças. Os casos isolados e exceções ao critério geral estabelecido serão analisados individualmente e a SED reafirmou que o ano letivo de 2011 encerrará em 30 de dezembro.

Sobre os trabalhadores das APAEs, mesmo não tendo nenhum desconto na folha de junho estes deverão realizar a reposição dos dias parados seguindo os critérios gerais estabelecidos pela SED, sob pena de descontos futuros. Como suas atividades possuem algumas especificidades que deverão ser tratadas diretamente com a FCEE, a Coordenação Estadual do SINTE/SC solicitará uma audiência com a presidência da referida entidade para negociar o calendário de reposição levando em conta as particularidades das atividades desenvolvidas nas APAEs e FCEE e orientamos que, por enquanto, estes profissionais utilizem o recesso de julho para iniciar a reposição.

Foi reiterada a preocupação do sindicato e dos trabalhadores em educação com a comunidade escolar e a qualidade da educação, e como sempre afirmamos durante a greve será feito um grande esforço para garantir a totalidade da reposição das aulas, evidenciado no fato de que 25.302 professores que participaram da greve já firmaram o compromisso de reporem as aulas. Faltam apenas cerca de 1% dos grevistas firmarem este compromisso, fato este ocasionado por diversos problemas e desencontros que estão sendo resolvidos caso a caso.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Greve - Unidos até o fim


Ninguém pode dizer que não lutamos. Aprendemos muito e nos politizamos com nossa mobilização. Acima de tudo, sabemos para quem e com quem contar.

Uns lutaram um pouquinho, outros, bastante e, a maioria, durante o tempo todo. Roemos o osso inteiro e descobrimos que o que restou foi platina, sinal de que ali houve fratura.

É hora de recuar, e quem recua assim o faz para estudar as fragilidades do inimigo e atacar novamente em tempo oportuno. Recuo não é derrota!